CoronavírusEmpresarial

Assédio moral no trabalho em tempos de pandemia

É inegável a calamidade instaurada pelo COVID-19, não só no âmbito do Brasil, como do mundo todo. Dentre todas as frentes que se possa pensar, talvez as relações de trabalho sejam as mais afetadas, diante do colapso econômico causado pela paralisação de praticamente todos os setores comerciais e de prestação de serviços, na tentativa de se evitar a propagação do vírus.

                                   Incontáveis empresas já encerraram suas atividades, por não suportarem a interrupção de suas atividades. Outras tantas foram obrigadas a suspender os contratos de trabalho de seus funcionários, ou ainda reduziram a jornada e os salários dos mesmos,  na tentativa de manter o próprio negócio e os empregos de seus colaboradores.

                                   Neste cenário incerto, o receio instaurado pela pandemia vem causando um aumento considerável de condutas abusivas, por parte das empresas, que no intuito de não “quebrarem”, aumentam a pressão sobre seus funcionários, através de imposições como atingimento de metas impossíveis; sobrecarga de serviço pela redução do quadro de funcionários; atraso de salários ou outros benefícios; ameaças de demissão, dentre outras que podem ser enquadradas como assédio moral.

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                                   Em contrapartida, os empregados, que dependem de seus salários para sobreviver, acabam se sujeitando a toda sorte de imposições e humilhações por parte de seus superiores, na tentativa de manter seus empregos, já que a perspectiva de recolocação no mercado de trabalho na atual conjuntura é extremamente desfavorável.

                                   O que os empresários não enxergam, é que tal comportamento desmotivará seus funcionários, causando ainda mais prejuízo nos resultados da empresa, sem mencionar a constituição de passivo trabalhista, com prováveis reclamações que serão ajuizadas perante a Justiça do Trabalho.

                                   A solução é a conscientização do empresariado, que deve primar pela sustentabilidade de seu negócio a longo prazo e, para tanto, sem dúvida, é necessário focar na saúde física e mental de seu quadro de colaboradores, implementando planos de ação que visem evitar o esgotamento dos mesmos, além de incentivá-los neste momento tão delicado, garantindo seus direitos e, ao mesmo tempo, capacitando-os através de cursos, palestras dentre outras que os faça vislumbrar a chance de sair desta situação tão preocupante.

                                   Em suma, a união entre empregador e empregado nunca se mostrou tão necessária pois, invariavelmente, um depende do outro para subsistir.

Ian Sousa JURÍDICO TRABALHISTA
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